eu não fotografo poses. fotografo o instante em que vocês esquecem que estou ali — quando a mão dele encontra a barriga sem pensar, quando o bebê adormece no peito, quando o riso escapa antes da pergunta. minha câmera é discreta, a luz é a da janela, e o silêncio entre nós é parte do retrato. o que fica dura mais do que a moldura.

desde que tinha 11 anos amo fotografar, e não aprendi a fazer de outro jeito que não esse — luz da janela, casa ou lugar favorito de vocês, um bate papo antes do clique. demoro um pouco pra começar de propósito. preciso que vocês esqueçam que estou ali — e só esquecem quando me conhecem um pouco.
não costumo dirigir poses. observo. peço pra vocês fazerem o que fariam se eu não estivesse — dar um banho no bebê, deitar como se fosse uma sessão da tarde, brincar um com o outro, rir do nada. é nesse meio que aparece o retrato que importa. o resto é técnica, e técnica eu trago comigo.
“ a ana chegou em casa às nove da manhã com sua mala na mão e ficou até a hora do almoço da Belly. eu juro que esqueci da câmera. tem uma foto que ela fez da minha pequena que eu nem percebi, não pedimos, eu nem sabia. é a foto que mais olho. acho que vou olhar pro resto da vida.
me conta um pouco de vocês — a fase que estão vivendo, a casa, a luz que entra pela janela de manhã, o que vocês querem lembrar daqui a dez anos. respondo pessoalmente, sempre. não tem formulário automático nem assistente — sou eu do outro lado.
conversar no whatsapp →respondo em até 48h, sem pressa, como se fosse um café.